07/30/2009 10:36
Calliente!
Agosto traz sempre esta constatação indesejavelmente verdadeira: ainda não foi desta que vim p'rá pastagem com a tosquia feita! Onde já se viu uma ovelhinha lanzuda a pastar??? Só mesmo na Escócia, lá nas Highlands onde uma nesga de sol dá direito a festas pagãs e os impermeáveis são a segunda pele.
Ainda navego com protecção extra o que faz do Verão a estação mais odiada, não só pelo desconforto do calor, como pelo desconforto visual de não ter a imagem que ainda me penso ter.
Continua a ver-me esplendidamente jeitosa, desde que não pense muito no tamanho das tendas que visto, nem na monotonia de cores que me tapam.
Eventualmente, congratulo-me pela diversidade de trapos que se vão usando, de tal forma que , quem me vir, pense que estarei mais grávida do que gorda, já que a idade não se estampa na testa e as rugas estão, graças ao colagénio ( ou gordura?) natural, ausentes.
Penso estar decidida, mas na verdade, não tenho feito qualquer sacrifício significativo e não me digam, pleaseeeee....que não é preciso isso, por que É. Eu sei. Lembro-me que , da última vez que fiquei doze quilos a menos jeitosinha, me ouvia emagrecer de fome, durante a noite, com a tripa a dar sinais de vazio justificado o que agora não acontece. Porque...não!
Induljo no pecado da gula, não de coisas doces, mas de comida pura e simples, picante, salgada, condimentada, saborosa ou simplesmente tapa buracos. POrque é hora de comer. Porque não é, mas é melhor estar calada. Porque há pouca coisa interessante que me motive. Porque estou danada. Com os filhos, com o parceiro que até me apoia,mas nunca se zanga, com a falta de férias, com a falta de alegria de viver, com a minha desorganização. Com este lugar e com lugar nenhum.
Comigo.
Com uma nostalgia nem eu sei de quê.
Talvez de outra Eu que anda arredada deste corpo e desta mente.
E se eu sei que isto está ao alcance da minha vontade, porque é que não a encontro definitivamente ?

