Fome e mais fome...
Alguém comentou recentemente que eu estava mais magra.
Fiquei, claro comovida até às lágrimas, mais não fosse, pela recordação do aperto que o meu estômago sentia naquele momento em que vociferava interiormente pela comezaina habitual que lhe tem vindo a ser negada nos últimos dias. Pois, pensei cá pra mim que pessoas como eu, não emagrecem, apenas desengordam, fazem por aparentar um físico menos inchado do que o habitual, porque, no fundo, a imagem mental que um gordinho militante e supostamente feliz faz de si próprio é tão desviada da real como a dum anoréxico, mas ao contrário!
Passo a explicar : quando, em casa, me vejo ao espelho, a imagem que comtemplo é a de mim...magra! Jeitosa e elegante como há quinze quilitos atrás! Se, por acaso, não me sinto num glorioso momento, tipo, neura ou ferozmente zangada com tudo e todos que é o mesmo que dizer comigo própria, evito mirar a minha espantosa figura a direito, limitando-me a uma espreitadela ao frontespício, para não me assustar com alguma criatura do outro lado do espelho...!
A dura e terrível verdade atinge-me quando menos espero, ao olhar uma montra e reparar que há uma senhora gorda parecida comigo do lado interior da loja, ou quando um irresponsável fotógrafo me apanha o "lado desfavorável" e me devolve a mesma criatura atarracada e redonda para eu contemplar. Aí, vejo. Mas não acredito.
Até que me resolvi a acreditar , como já testemunhei, e deitei mãos à obra. Timidamente,confesso, pois não sou criatura de grande força de vontade e procrastinar é uma das minhas vocações .
Assim, lá fui à menina das dietas, não que ela me diga algo que eu não saiba, mas , pelo menos, sempre tenho alguém a quem mostrar progressos e que faz de conta que se interessa por mim, que me pesa e dá na tola se desatinar.
Quero crer que desta vai! Por isso, refiz os dados da minha sólida carcaça para que os não esqueça e possa visualizar o progresso realizado.
Quero poder sair da condição de pré-deficiente motora em que criaturas como eu se encontram sem assumirmos. Somos gordos, mas dizemos que somos, apenas, fortezinhos, robustos, de constituição larga, comos os pais, mães, parentes....sentimo-nos pesados, mas convencemo-nos que ainda não é "obesidade", isso é doença dos outros , não nossa; estalam os ossos e as articulações rangem, mas isso é coisa da idade; arfamos na caminhada , mas é do cansaço do trabalho, e por aí adiante...desculpas de quem tem vícios e os não reconhece.
Quero ter mais agilidade, mais fôlego, mais ossos, mais guarda-roupa, mais saúde, menos tensão arterial e mais anos de vida!
Venha outra semana, se faz favor!

